Orações
Uma coleção de orações católicas organizadas por tema, para leitura simples e acesso rápido.
- Orações Primárias1 min

Vinde, Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da Terra. Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a Luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
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Angelus
℣. O Anjo do Senhor anunciou a Maria. ℟. E ela concebeu do Espírito Santo. 1ª Ave Maria ℣. Eis a escrava do Senhor. ℟. Faça-se em mim segundo a Vossa palavra. 2ª Ave Maria ℣. E o Verbo se fez Carne. ℟. E habitou entre nós. 3ª Ave Maria ℣. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus. ℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos Infundi no nosso espírito a Vossa graça, ó Pai; Vós que na Anunciação do Anjo nos revelastes a Encarnação do Vosso Filho, pela sua Paixão e Cruz, conduzi-nos à glória da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
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Invocação ao Anjo da Guarda
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.
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Pecados e Virtudes opostas
Soberba → Humildade Avareza → Generosidade (ou Liberalidade) Luxúria → Castidade Ira → Mansidão (ou Paciência) Gula → Temperança Inveja → Caridade Preguiça (ou Acídia) → Diligência (ou Zelo) Soberba: Combatida pela humildade, que nos faz reconhecer nossa dependência de Deus e nosso lugar na criação. Avareza: Combatida pela generosidade, que nos leva a desapegar dos bens materiais e a partilhar com os necessitados. Luxúria: Combatida pela castidade, que ordena nossos desejos segundo a vontade de Deus. Ira: Combatida pela mansidão, que nos dá serenidade para suportar ofensas e evitar explosões desordenadas. Gula: Combatida pela temperança, que nos ajuda a moderar os prazeres do apetite. Inveja: Combatida pela caridade, que nos leva a desejar o bem do próximo sem rivalidades. Preguiça (ou Acídia): Combatida pela diligência, que nos impulsiona ao trabalho e ao cumprimento dos deveres.
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Santa Luzia
Oração Inicial (para todos os dias) Ó Santa Luzia, que deixastes que os vossos olhos fossem arrancados antes de negar a fé. Gloriosa Santa Luzia, cuja dor dos olhos vazados não foi maior que a de negar Jesus. E Deus com um milagre extraordinário vos devolveu outros olhos perfeitos para recompensar vossa virtude e vossa fé. Protetora das doenças dos olhos, eu recorro a vós para que protejais e cureis os meus olhos. Poderosa Santa Luzia, conservai a luz dos meus olhos para que eu possa ver as belezas da criação, e de nossas vidas. Conservai também os olhos de minha alma, da minha fé, pela qual eu possa seguir o caminho do meu Deus e aprender os Seus ensinamentos. Santa Luzia, protegei os meus olhos, conservai a minha fé e intercedei junto a Deus pela minha cura. Oração Final (para todos os dias) Senhor Jesus, que a tudo vedes: Nada se esconde ao Vosso Olhar: livrai-nos de todos os males e não permitais cairmos nas adversidades; com Vossos santos olhos conduzi nossa visão, afastando-a da tentação, cobiça, inveja e ganância; permiti vermos o caminho da Verdade, a Luz da Vida, a vermos Vossa Face no rosto de cada irmão; ensinai-nos a olhar o que é reto, límpido, transparente; usai de nossos olhos, para enxergarmos como a Vós Senhor: o belo com profundidade e com bondade; a ter, Senhor, um olhar manso, sereno, humilde e que possamos ver o irmão com respeito e sermos servos para o próximo; abençoai Senhor Jesus, todo nosso olhar, até a hora de nossa morte. Amém! _(Rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai)_ Meditação do 1º dia Lembremos o Nascimento do Menino Jesus, onde Deus, vendo como se encontrava seu povo, envia seu Filho Jesus para nos salvar. (Lc 2,7) Que possamos aprender com o Menino Jesus à olhar o mundo como uma criança: sem maldade, com pureza, alegria e inocência. Meditação do 2º dia Jesus no Templo vê e conversa com os doutores da lei para que observem os ensinamentos de Deus. (Lc 2,46) É obrigação aprender a respeitar, olhar e cumprir os Mandamentos de Deus. Meditação do 3º dia Jesus vê a discriminação e a tentativa de apedrejamento da mulher pecadora que fora apanhada em adultério, e intervém dizendo: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra.” Que Jesus permita que, ao olharmos para dentro de nós mesmos, saibamos nos afastar do pecado, seguindo o caminho da verdade e da vida, e olhando a atitude de Jesus possamos ser mais solidários uns com os outros. (Jo 8,1-11) Meditação do 4º dia Jesus o Filho de Deus, um Homem que tinha poder, vê a persistência daqueles cegos em procurá-lo e os cura. (Mt 20,29-34) (Mc 10,51-52) (Lc 18,42-43) Que Jesus não cure só os nossos males físicos, mas cure principalmente nossos olhos, para que vejamos todos e tudo com o Olhar de Cristo, com mansidão, pureza, nos afastando das malícias, tentações e maldades. Meditação do 5º dia Na noite da Santa Ceia, Jesus parte o pão e distribui junto com o vinho a seus discípulos, mostrando-lhes que agora é Seu Corpo e Sangue. Nesta mesma noite Jesus vendo com Olhos do Coração sabia que seria traído e quem o trairia, mesmo assim cumpriu-se a Vontade do Pai. (Lc 22,1-23) Meditação do 6º dia Ao olharmos a Consagração na Santa Missa, nos lembramos do instante em que os discípulos acompanharam Jesus. Que Ele nos acompanhe a todo o momento e que nos ensine a olhar as pessoas, as coisas com Olhos do Coração para obtermos discernimento para nossos atos. Meditação do 7º dia Jesus, já crucificado, dando sua Vida para nos salvar, vê sua Mãe Maria junto de seu discípulo João, e diz: “Mulher eis teu Filho, Filho eis tua Mãe”; assim mostra-nos que Ele nos deixou uma Mãe que hoje intercede por nós junto ao seu Filho. (Jo 19,25-27) Meditação do 8º dia Lembremos das palavras de Jesus, e olhemos com mais atenção e carinho por nossas mães, pelas mães abandonadas, as mães que por algum motivo estão nos asilos, por nossos irmãos. Meditação do 9º dia O guarda romano (Centurião) aos pés da cruz, olha Jesus já crucificado e morto, quando já expirou e diz: “Ele é realmente o Filho de Deus, …, era Justo”. (MT 27,54)
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Assuntos para meditação diária
1. Deus para glorificar 2. Jesus para imitar 3. A abençoada Virgem e os Santos para venerar 4. Os Anjos para invocar 5. A alma para salvar 6. O corpo para mortificar 7. As virtudes para conquistar 8. Os pecados para expiar 9. O paraíso para ganhar 10. O inferno para evitar 11. A eternidade para preparar 12. O tempo para bem aproveitar 13. O próximo para edificar 14. O mundo para desprezar 15. Os demônios para combater 16. As paixões para refrear
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Novena de Natal
Oração inicial Deus Benigno de infinita caridade que nos amastes tanto e que nos destes em Vosso Filho a melhor oferta de Vosso amor, para que, Encarnado e feito nosso Irmão no seio da Virgem, nascesse em um Presépio para nossa saúde e remédio; vos damos graças por tão imenso benefício. De volta vos oferecemos, Senhor, o esforço sincero para fazer deste vosso mundo e nosso, um mundo mais justo, mais fiel ao grande mandamento de nos amarmos como irmãos. Concedei-nos, Senhor, vossa ajuda para podermos realizá-lo. Pedimo-Vos que este Natal, festa de paz e alegria, seja para nossa comunidade um estímulo a fim de que, vivendo como irmãos, procuremos mais e mais os caminhos da verdade, da justiça, do amor e da paz. Amém. _(Rezar um Pai-Nosso)_ Oração para a família Senhor, fazei de nosso lar um lugar de Vosso amor. Que não haja injúria, porque nos dais compreensão. Que não haja amargura, porque nos abençoais. Que não haja egoísmo, porque nos alentais. Que não haja rancor, porque nos dais o perdão. Que não haja abandono, porque estais conosco. Que saibamos caminhar até Vós em nosso viver cotidiano. Que cada manhã amanheça mais um dia de entrega e sacrifício. Que cada noite nos encontre com mais amor. Fazei Senhor com nossas vidas, que quisestes unir, uma página cheia de vós. Fazei, Senhor, de nossos filhos o que desejardes, ajudai-nos a educá-los, orientá-los pelo Vosso caminho. Que nos esforcemos no apoio mútuo. Que façamos do amor um motivo para amar-Vos mais. Que, quando amanhecer o grande dia de irmos ao Vosso encontro, concedei-nos encontrarmos unidos para sempre em Vós. Amém. Oração à Virgem Soberana Maria, te pedimos por todas as famílias de nosso país; faz com que cada lar de nossa pátria e do mundo seja fonte de compreensão, de ternura, de verdadeira vida familiar. Que estas festas de Natal, que nos reúnem ao redor do Presépio onde nasceu teu Filho, nos unam também no amor, que nos façam esquecer as ofensas e nos deem simplicidade para reconhecer os enganos que tenhamos cometido. Mãe de Deus e Nossa Mãe, intercedei por nós. Amém. Oração a São José Santíssimo São José, esposo de Maria e pai adotivo do Senhor, foste escolhido para fazer as vezes de pai no lar de Nazaré. Ajudai os pais de família; que eles sejam sempre no lar a imagem do Pai Celestial, a teu exemplo; que cumpram a grande responsabilidade de educar e formar seus filhos, entregando-lhes, com um esforço contínuo, o melhor de si mesmos. Ajudai os filhos a entender e apreciar o abnegado esforço de seus pais. São José, modelo de marido e pai, intercedei por nós. Amém. _(Rezar um Pai-Nosso)_ _ Meditações _1º Dia – 16 de dezembro_ Caríssimos, deixemo-nos transportar de alegria e demos livre curso ao júbilo espiritual, pois raiou para nós o dia de uma redenção nova, dia longamente preparado, dia de felicidade eterna. _2º Dia – 17 de dezembro_ Caríssimos, animados da confiança que nasce de tão grande esperança, permanecei firmes na fé sobre a qual fostes estabelecidos, para que o Tentador, de cujo domínio Cristo vos subtraiu, não vos seduza novamente com algumas de suas ciladas e não corrompa as alegrias próprias desse dia mediante a habilidade de suas mentiras. _3º Dia – 18 de dezembro_ Honrai com uma obediência santa e sincera o mistério sagrado e divino da restauração do gênero humano. Uni-vos a Cristo, nascido em nossa carne, a fim de merecerdes ver reinando em Sua majestade esse mesmo Deus de glória que, com o Pai e o Espírito Santo, permanece na Unidade da Divindade pelos séculos dos séculos. _4º Dia – 19 de dezembro_ O Filho de Deus, que é Deus como Seu Pai; que recebe do Pai, Criador e Senhor de tudo, Sua mesma natureza; que está presente em toda parte e transcende o universo inteiro na sequência dos tempos, os quais de Sua Providência dependem, escolheu para Si um dia, a fim de em prol da salvação do mundo nele nascer da Bem-aventurada Virgem Maria, conservando intacto o pudor de Sua mãe. _5º Dia – 20 de dezembro_ O admirável parto da sagrada Virgem trouxe à luz uma Pessoa que, em Sua unicidade, era verdadeiramente Humana e verdadeiramente Divina, já que as duas naturezas não conservaram suas propriedades de modo tal que se pudessem distinguir como duas pessoas: não foi apenas ao modo de um habitador em seu habitáculo que o Criador assumiu a Sua criatura, mas, ao contrário, uma natureza como que se adicionou à outra. Embora duas naturezas - uma, a assumente, e outra, a assumida-, é tal a unidade que formam que um único e mesmo Filho poderá dizer-se, enquanto Verdadeiro Homem, menor que o Pai, e enquanto Verdadeiro Deus, igual ao Pai. _6º Dia – 21 de dezembro_ Assim, para sermos novamente chamados dos grilhões originais e dos erros mundanos à Eterna Bem-aventurança, Aquele mesmo a quem não podíamos subir, desceu até nós. Se realmente muitos eram os que amavam a verdade, a astúcia do Demônio iludia-os na incerteza de suas opiniões, e sua ignorância, ornada com o falso nome de ciência, arrastava-os à sentenças mais diversas e opostas. A doutrina da Antiga Lei não era bastante para afastar essa ilusão que mantinha as inteligências no cativeiro do soberbo Demônio. Nem tampouco as exortações dos profetas lograriam realizar a restauração de nossa natureza. Era necessário que se acrescentasse às instituições morais uma verdadeira Redenção, era necessário que uma natureza corrompida desde os primórdios renascesse em novo Início. _7º Dia – 22 de dezembro_ Considerai atentamente, caríssimos, sob a luz do Espírito Santo, quem nos recebeu consigo e quem recebemos conosco: sim, como o Senhor se tornou carne nossa nascendo, também nós nos tornamos Seu Corpo renascendo. Somos membros de Cristo e templos do Espírito Santo, e é por isso que o Apóstolo diz: “Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo”. _8º Dia – 23 de dezembro_ Com efeito, o Senhor Jesus Cristo veio para eliminar nossa corrupção, não para ser sua vítima; para trazer remédio aos nossos vícios, não para ser sua presa. Ele veio curar toda enfermidade, consequência de nossa corrupção, e todas as úlceras que manchavam nossas almas; como Ele trazia para nossos corpos humanos a graça nova de uma pureza sem mancha, foi necessário que Ele nascesse segundo um modo novo. _9º Dia – 24 de dezembro_ Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a Vida; uma Vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida.
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Santo Antão
Como rezar a Novena? 1) Inicia-se com o Sinal da Cruz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; 2) Reza-se todos os dias a oração inicial; 3) Faz-se a meditação do dia; 4) Reza-se a oração final 5) Finaliza-se com o Sinal da Cruz. Oração inicial para todos os dias da Novena Ó Santo Antão, vós que, com vossa oração, vencestes o demônio, rogai ao Divino Pai Eterno para que Ele nos envie o Espírito Santo que Jesus falou no Evangelho para que, como vós, também possamos ser fortes na hora da tentação. Socorrei-nos Santo Antão. Amém. _(Faça seu pedido a Deus por intercessão de Santo Antão)_ Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai. Oração final para todos os dias Ó Deus, que permitistes que, mesmo na solidão de uma gruta no deserto, o demônio perturbasse Santo Antão com violentas tentações, mas lhe destes força de vencê-las, enviai-me, do céu, o Vosso socorro, porque eu vivo num ambiente minado de tentações que me agridem, pelo celular, rádio, televisão, novelas, bailes, cinemas, revistas, propagandas e maus companheiros. Santo Antão, ficai sempre ao meu lado; vós que vencestes o demônio, na aparência de um bicho imundo, me dareis força na tentação. Amém. Santo Antão, rogai por nós! - 1º Dia da Novena Santo Antão nasceu em 251 na cidade de Conam no Egito. Seus pais eram de boa linhagem e abastados. Depois da morte de seus pais ficou só com sua única irmã, muito mais jovem. Tinha então uns dezoito a vinte anos, e tomou o cuidado da casa e de sua irmã. Menos de seis meses depois da morte de seus pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e refletia como os Apóstolos deixaram tudo e seguiram o Salvador; como, segundo se refere nos Atos dos Apóstolos, os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados, e quão grande é a esperança prometida nos céus para os que assim fazem. Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o Evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu”. Mas o demônio, que odeia e inveja o bem, não podia ver tal resolução num jovem, e se pôs a empregar suas velhas táticas também contra ele. Primeiro tratou de fazê-lo desertar da vida ascética, recordando-lhe sua propriedade, o cuidado de sua irmã, os apegos da parentela, o amor do dinheiro, o amor à glória, os inumeráveis prazeres da mesa e todas as demais coisas agradáveis da vida. Finalmente apresentou-lhe a austeridade e tudo o que se segue a essa virtude, sugerindo-lhe que o corpo é fraco e o tempo é longo. Em resumo, despertou em sua mente toda uma nuvem de argumentos, procurando fazê-lo abandonar seu firme propósito. O inimigo viu, no entanto, que era impotente em face da determinação de Antão, e que antes era ele que estava sendo vencido pela firmeza do homem, derrotado por sua sólida fé e sua constante oração. 2º Dia da Novena Santo Antão estava um dia lutando contra o demônio e travava com ele uma verdadeira luta física. Então, invocou a presença de Nosso Senhor. Clamou por Jesus, dizendo: “Salvai-me, Senhor!” E, de tanto clamar: “Kyrie Eleison!”, o demônio, então, se retirou. Naquele momento, em que Antão finalmente conseguiu a vitória sobre o demônio, Jesus apareceu. Santo Antão ficou um pouco triste. Olhou para Jesus e disse: “Senhor! Onde estáveis quando eu mais necessitava de Vós?” Então, Jesus, com um olhar de misericórdia, olhou para Antão e disse: “Antão, meu filho, Eu estava aqui o tempo todo. Mas, Eu queria te ver lutar.” Deus gosta de nos ver lutar. Mesmo que não tenhamos o grau de virtude, e não tenhamos especificamente sido eleitos para a missão de lutar fisicamente com o demônio, todos nós temos a missão de lutar espiritualmente contra ele. Talvez essa seja a principal razão para que Deus permita isso com esses homens Santos. 3º Dia da Novena “Nada mais útil pode ser ao Cristão do que pensar todos os dias: Estou começando a servir a Deus e o dia de hoje pode ser o meu último” – Santo Antão. O demônio, jactando-se de suas tentações carnais, pois são sua preferida artimanha contra os jovens, atacou o jovem molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que viam Antão podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois. O inimigo queria sugerir-lhe pensamentos baixos, mas ele os dissipava com orações; procurava incitá-lo ao prazer, mas Antão, envergonhado, cingia seu corpo com sua fé, orações e jejuns. Atreveu-se então o perverso demônio a disfarçar-se em mulher e fazer-se passar por ela em todas as formas possíveis durante a noite, só para enganar Antão. Mas ele encheu seus pensamentos de Cristo, refletiu sobre a nobreza da alma criada por Ele, e sua espiritualidade, e assim apagou o carvão ardente da tentação. E quando de novo o inimigo lhe sugeriu o encanto sedutor do prazer, Antão, enfadado com razão, e entristecido, manteve seus propósitos com a ameaça do fogo e dos vermes. Sustentando isto no alto, como escudo, passou por tudo sem se dobrar. Toda essa experiência levou o inimigo a envergonhar-se. Em verdade, ele, que pensara ser como Deus, fez-se louco ante a resistência de um homem. Ele que em sua presunção desdenhava carne e sangue, foi agora derrotado por um homem de carne em sua carne. Verdadeiramente o Senhor trabalhava com este homem, Ele que por nós tornou-se carne e deu a seu corpo a vitória sobre o demônio. Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer: “Não eu, mas a graça de Deus comigo”. 4º Dia da Novena Santo Antão havia descido para visitar as celas exteriores. Quando convidado a subir a um barco e orar com os monges, só ele percebeu um mau cheiro horrível e sumamente penetrante. A tripulação disse que havia a bordo pescado e alimento salgado e que o cheiro vinha disso, mas ele insistiu que o odor era diferente. Enquanto estava falando, um jovem que tinha um demônio e subira a bordo pouco antes como clandestino, soltou de repente um guincho. Repreendido em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, foi-se o demônio, e o homem voltou à normalidade; todos então se aperceberam de que o mau cheiro vinha do demônio. 5º Dia da Novena Dois dos irmãos da ordem de Santo Antão estavam em viagem para vê-lo, e no caminho a água acabou. Um morreu e o outro estava a ponto de morrer. Já não tinha forças para andar, mas jazia no chão esperando também a morte. Sentado na montanha, Antão chamou dois monges que casualmente estavam ali e os compeliu a se apressarem: “Tomem um jarro d’água e corram descendo pelo caminho do Egito; vinham dois, um acaba de morrer e o outro também morrerá se vocês não se apressarem. Foi-me revelado isto agora na oração”. Foram-se os monges, acharam um morto e o enterraram. Ao outro fizeram-no reviver com água e o levaram ao ancião. A distância era de um dia de viagem. Agora, se alguém pergunta porque não falou antes de morrer o outro, sua pergunta é injustificada. O decreto de morte não passou por Antão, mas por Deus que a determinou para um, enquanto revelava a condição do outro. Quanto a Antão, o admirável é que, enquanto estava na montanha com seu coração tranquilo, mostrou-lhe o Senhor coisas distantes. 6º Dia da Novena Finalmente, quando o dragão não pôde conquistar o jovem Antão nem por estes últimos meios, mas viu-se arrojado de seu coração, rangendo seus dentes, como diz a Escritura, mudou, por assim dizer, sua pessoa. Tal como é seu coração, assim lhe apareceu: como um moço preto; e como inclinando-se diante dele, já não o molestou com pensamentos, pois o impostor tinha sido lançado fora, mas usando voz humana disse-lhe: “A muitos enganei e venci; mas agora que te ataquei a ti e teus esforços, como fiz com tantos outros, mostrei-me demasiadamente fraco”. “Quem és tu que me falas assim?”, perguntou-lhe Antão. Apressou-se o outro a replicar com a voz lastimosa: “Sou o amante da fornicação. Minha missão é espreitar a juventude e seduzi-la. Chamam-me o espirito de fornicação. A quantos eu enganei, decididos que estavam a cuidar de seus sentidos! A quantas pessoas castas seduzi com minhas lisonjas! Eu sou aquele por cuja causa o profeta censura os decaídos: ‘Foram enganados pelo espírito da fornicação’. Sim, fui eu que os levei à queda. Fui eu que tanto te molestei e tão a miúdo fui vencido por ti”. Antão deu, pois, graças ao Senhor e armando-se de coragem contra ele, disse: “És então inteiramente desprezível; és negro em tua alma, e tão débil como um menino. Doravante já não me causas nenhuma preocupação, porque o Senhor está comigo e me auxilia: ‘Verei a derrota dos meus adversários’ “. Ouvindo isto, o negro desapareceu imediatamente, inclinando-se a tais palavras e temendo acercar-se do homem. Mesmo com essa primeira vitória de Antão sobre o demônio; ou melhor, digamos que este singular êxito em Antão foi do Salvador, que “condenou o pecado na carne, a fim de que a justificação, prescrita na Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Mas Antão não se descuidou nem se acreditou garantindo por si mesmo pelo simples fato de se ter o demônio lançado a seus pés; tampouco o inimigo, ainda que vencido no combate, deixou de estar-lhe à espreita. Andava dando voltas em redor, como um leão, buscando uma ocasião contra ele. 7º Dia da Novena Antão tendo aprendido nas Escrituras quão diversos são os enganos do maligno, praticou seriamente a vida ascética, tendo em conta que, se não pudesse seduzir seu coração pelo prazer do corpo, trataria certamente de enganá-lo por algum outro método; porque o amor do demônio é o pecado. Resolveu, por isso, acostumar-se a um modo mais austero de vida. Mortificou seu corpo sem mais, e o sujeitou, para não acontecer que, tendo vencido uma ocasião, perdesse em outra. Muitos se maravilhavam de suas austeridades, porém ele próprio as suportava com facilidade. O zelo que havia penetrado sua alma por tanto tempo transformou-se pelo costume em segunda natureza, de modo que ainda a menor inspiração recebida de outros levava-o a responder com grande entusiasmo. Por exemplo, observava as vigílias noturnas com tal determinação, que a miúdo passava toda a noite sem dormir, e isso não só uma vez, mas muitas, para admiração de todos. Assim também comia só uma vez ao dia, depois do cair do sol; às vezes cada dois dias, e com frequência tomava seu alimento só depois de quatro dias. Sua alimentação consistia em pão e sal; como bebida tomava só água. Não necessitamos sequer mencionar carne ou vinho, porque tais coisas tampouco se encontravam entre os demais ascetas. Contentava-se em dormir sobre uma esteira, embora regularmente o fizesse sobre o simples chão. Desprezava o uso de unguentos para a pele, dizendo que os jovens devem praticar a vida ascética com seriedade e não andar buscando coisas que amolecem o corpo; deviam antes acostumar-se ao trabalho duro, tendo em conta as palavras do Apóstolo: “É na fraqueza que se revela minha força”. Dizia que as energias da alma aumentam quanto mais débeis são os desejos do corpo. 8º Dia da Novena Assim esteve sozinho na Montanha Interior, dando seu tempo à oração e à prática da vida ascética. Os irmãos que foram em sua busca rogaram-lhe que lhes permitisse ir cada mês e levar-lhe azeitonas, legumes e azeite, pois agora já era ancião. De seus visitantes soubemos quantos combates teve de suportar enquanto viveu ali, “não contra carne e sangue”, como está escrito, mas em luta com os demônios. Também ali ouviram tumultos e muitas vozes e clamor como de armas. À noite viram a montanha encher-se de vida com animais selvagens. Viram-no também lutando como com inimigos visíveis, e orando contra eles. A um que o visitou falou-lhe palavras de alento enquanto ele próprio mantinha-se firme na contenda, de joelhos e orando ao Senhor. Era realmente notável que, sozinho como estava nesse despovoado, nunca desmaiasse ante os ataques dos demônios, nem tampouco, com todos os animais e répteis que havia, tivesse medo de sua ferocidade. Como está na Escritura, ele realmente “confiava no Senhor como o monte de Sião”, com ânimo inquebrantável e intrépido. Assim os demônios antes fugiam dele, e os animais selvagens fizeram paz com ele, como está escrito. 9º Dia da Novena O mau pôs estreita guarda sobre Antão e rangeu os dentes contra ele, como o disse Davi no Salmo, mas Antão foi animado pelo Salvador, não sendo danificado por essa vilania e sutil estratégia. Enviou-lhe animais selvagens enquanto estava em suas vigílias noturnas, e em plena noite todas as hienas do deserto saíram de suas tocas e o rodearam. Tendo-o no centro, abriam suas faces e ameaçavam mordê-lo. Ele, porém, conhecendo bem as manhas do inimigo, disse-lhes: “Se receberam poder para fazer isto contra mim, estou disposto a ser devorado; mas se foram enviadas pelo demônio, saiam imediatamente, porque sou servidor de Cristo”. Enquanto Antão dizia isto, fugiram como açoitados pelo látego dessa palavra. Poucos dias depois, enquanto estava trabalhando, porque o trabalho sempre era parte de seu propósito, alguém chegou à porta e puxou a corda com que trabalhava. Estava fazendo cestos que dava a seus visitantes em troca do que lhe traziam. Levantou-se e viu um monstro que parecia homem até as coxas, mas com pernas e pés de asno. Antão fez simplesmente o sinal da cruz e disse: “Sou servidor de Cristo. Se foste enviado contra mim, aqui estou”. O monstro, porém, com seus demônios, fugiu tão rápido que sua própria rapidez o fez cair e morrer. A morte do monstro veio a significar o fracasso dos demônios: fizeram o que puderam para que saísse do deserto e não o conseguiram.
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São Francisco de Sales
Como rezar a Novena? 1) Inicia-se com o Sinal da Cruz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; 2) Reza-se todos os dias a oração inicial; 3) Faz-se a meditação do dia; 4) Reza-se a oração final 5) Finaliza-se com o Sinal da Cruz. Oração inicial para todos os dias da Novena Ó São Francisco de Sales, que em tua vida mortal se fez sobressair em todas as virtudes, especialmente no amor à Deus e ao próximo, eu humildemente suplico colocar-me sob a tua proteção imediata, para obter de Deus a minha perfeita conversão, e a de todos os pecadores, especialmente dos… (os nomes das pessoas para quem você quiser rezar devem ser mencionados aqui). Ensina-me, São Francisco de Sales, a fixar os olhos no céu, que eu possa generosamente enfrentar todos os obstáculos que se apresentam no meu caminho, e de atingir um dia a glória no céu com auxílio de tua intercessão. Obtende também o especial favor… (mencionar intenção). Ajudai-me, ó Senhor, eu Vos suplico, através dos méritos de São Francisco de Sales. Que aquilo que os nossos esforços não podem obter possa ser-nos dada por sua intercessão. Oremos. Ó Deus, que para a salvação das almas, fizestes São Francisco de Sales, Vosso confessor e bispo, que lutava para que todos os homens e mulheres se submetessem a Vossa misericordiosa Vontade, e fossem infundidos com a suavidade da caridade, guiados por seus ensinamentos, pedimos pela intercessão deste Vosso servo a graça de obter felicidade eterna. Através de Cristo, Nosso Senhor. Amém. Oração final para todos os dias Ó Deus, nosso Pai, que fizestes de São Francisco de Sales vosso confessor e bispo para a salvação de tantas almas, testemunhando com a sua vida que sois um Deus de ternura e de misericórdia, por sua intercessão, nós Vos pedimos: enviai sobre nós o Vosso Espírito Santo para que nos ensine a ternura, a compaixão, a misericórdia, e nos chame à reconciliação e à comunhão convosco e com nossos irmãos. Pedimos para que o Vosso amor impere em nossos corações e nos torne amáveis, benignos e generosos com todas as pessoas, especialmente aquelas que convivem dia a dia conosco. Também por intercessão de São Francisco de Sales, Vos pedimos a conversão de nossos familiares à fé católica. Por Cristo nosso Senhor. Amém. _Pai,-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai_ “Senhor Jesus, em oração uma vez Vos pedi - e pedirei sempre - que faça eu a Vossa amorosa Vontade todos os dias da minha miserável e frágil vida. Nas Vossas Mãos, Bom Deus, entrego o meu espírito, o meu coração, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade. Concedei, porém, que com tudo Vos sirva, Vos ame, Vos agrade e sempre Vos louve. Amém.” - 1º Dia da Novena “A figura de São Francisco de Sales não pertence àquelas que possam ser descritas em termos muito limitados. Eleva-se altaneira e clara diante de nosso espírito, mais alta do que as montanhas da Sabóia (região onde ele nasceu e viveu), mais clara do que o céu sorridente que se espelha nas águas azuis do pequeno lago de Annecy (onde morou como bispo). De Fato, São Francisco de Sales era o mais amável entre os santos, e Deus o enviou ao mundo numa hora de tribulação”. Com isso, o Papa São João XXIII expressou o que já impressionava sumamente os contemporâneos de São Francisco de Sales. Sua amabilidade discreta superou aos poucos a desconfiança dos homens intimidados no Chablais (onde São Francisco de Sales foi missionário por mais de cinco anos). Sua bondade indulgente atraía especialmente os pobres e marginalizados. Pela sua paciência amável sabia apaziguar inúmeros litígios e reconciliar entre si os adversários. “Com uma gota de mel se atrai mais moscas do que com um barril de vinagre”, dizia ele mesmo. Suportava com tranquilidade inabalável as injúrias e ofensas contra sua pessoa. Quando, certa vez, se encontrou com um caluniador malévolo, disse: “Mesmo que me tivesse arrancado uma vista, com a outra olharia amigavelmente para o senhor”. Havia, no entanto, naquele tempo, como até hoje, quem interpretasse sua bondade como fraqueza, sua mansidão como um feliz dom natural, sua amabilidade como uma tática calculada. Na verdade, ela é uma virtude constantemente exercitada no seguimento de Jesus Cristo. “Quem for ao encontro do próximo com a bênção da suavidade”, diz ele, “será o mais perfeito seguidor de Nosso Senhor”; e “isto, no fundo, é tudo: um coração manso para o próximo e um coração humilde para Deus”. 2º Dia da Novena Desde sua infância, através de estudos aprimorados, São Francisco de Sales se preparara interiormente para colocar-se todo a serviço da Igreja e dos homens e mulheres. Quando se aproximou o dia da ordenação sacerdotal, apoderou-se do seu coração o temor diante da responsabilidade “de segurar em suas mãos e de realizar pela sua palavra o que nem sequer os anjos são capazes de compreender e de enaltecer devidamente”; mas também alegria sobre a vocação imerecida ao santo serviço. Sempre celebrava a Santa Missa com tanto respeito e recolhimento que edificava profundamente a todos os que o observavam. Assim que se aproximava do altar, todos os pensamentos de distração o deixavam. Queria dar a todos o acesso à riqueza do sacrifício da Missa e possibilitar-lhes a participação interior. A meta de sua pregação era conseguir aquilo para o qual o Salvador veio ao mundo: “para que todos tivessem vida e a possuíssem em abundância”. Já como neo-sacerdote, aproveitava cada oportunidade para anunciar a palavra de Deus, a ponto que seu pai lhe dizia: “Tu pregas demais!”. Mais tarde, ele declarou que lhe era mais fácil aceitar uma pregação do que rejeitar um convite de pregar. Ele mesmo avaliou o número de suas pregações em 4 mil, mais ou menos. Como sacerdote e como bispo dedicava muito tempo da pastoral ao sacramento da Penitência. Com inesgotável paciência dedicava-se especialmente aos pobres e desajustados. Mediante sua bondade, sabia conduzi-los ao arrependimento verdadeiro e à conversão. Incansavelmente exortava-os à Comunhão mais frequente. Sua casa estava sempre aberta para todos os que procuravam um conselho (muito ao desagrado dos outros residentes) e todos voltavam consolados e reanimados. Seu zelo apostólico o fez “tudo para todos”. 3º Dia da Novena A atividade de São Francisco de Sales se deu nos pós-guerras religiosas, que na França seguiram o cisma ocidental e sacudiu também sua pátria Sabóia. Um ano depois de sua ordenação sacerdotal, partiu para reconquistar à Fé católica, os habitantes do Chablais, que ele considerava irmãos desgarrados, e reconduzi-los à unidade da Igreja. Segundo sua opinião teológica, cada um aceitará a Fé católica se vier a conhecê-la e a ser convencido da Verdade dela. Por isso, Francisco exigiu, num memorial sobre a reunificação na Fé, que a pregação católica fosse permitida em lugares e regiões heréticas. Já no dia de sua chegada em Thonon, ele mesmo começou a pregar diante de poucos ouvintes. Apoiado na Revelação da Sagrada Escritura e da Tradição, na doutrina dos Santos Padres e no Magistério da Igreja, expunha aos calvinistas as verdades fundamentais da Fé católica e as defendia contra as heresias. Mas porque a maioria do povo não ousava assistir às pregações dele, distribuía, além disso, os seus ensinamentos por meio de panfletos que, reunidos, foram editados, após a sua morte, sob o título de “Controvérsias”. Estas Controvérsias foram uma das razões pela qual São Francisco de Sales, em 1877, foi declarado Doutor da Igreja. Nelas “irradiam-se um admirável conhecimento de teologia, um excelente método, uma irresistível força de argumentos, tanto na refutação da heresia como na apresentação da Verdade católica” (Pio IX). Na defesa da fé conduziu-o tanto o seu amor pela Igreja como também seu zelo pela salvação dos homens. Francisco estava convencido de que “quem fala com amor, prega suficientemente contra a heresia”. No seu memorial mostra-se disposto a concessões amplas “desde que se conserve a Fé” a qual defende com toda força e com todo o amor. 4º Dia da Novena No seu discurso inaugural como Preboste (um cargo eclesiástico daquela época), Francisco de Sales confessou a culpa coletiva da Igreja no cisma: culpa coletiva pelos males entre o clero e a decadência na vida religiosa. Como bispo, trabalhava sistematicamente na reforma da Igreja, cujo efeito repercutia além das fronteiras de sua diocese. Antes de tudo, exortava os sacerdotes ao estudo, pois, dizia ele: “A ciência é o oitavo sacramento para o clero”. Deu-lhes uma instrução fundamental sobre a administração do Sacramento da Penitência e decretou, nos sínodos diocesanos, as diretrizes necessárias para a renovação da pastoral. Para a admissão à Ordem sacerdotal e para a transmissão de uma paróquia, ele insistia na aptidão necessária. Nomeava sacerdotes exemplares e capacitados para os cargos importantes e lhes dava a sua total confiança. Seu empenho quanto à reforma dos mosteiros mundanizados foi lento e apenas parcialmente coroado de êxito. Tentava, especialmente ajudado por religiosos de boa vontade, reformar as comunidades interiormente. Apenas como meio extremo, ele usava de rigor, para excluir escândalos públicos e possibilitar um reinício. Primeiramente Francisco catequizava pessoalmente na Sé episcopal e organizava, mais tarde, a catequese em toda a diocese, para remediar a ignorância do povo. Ele promovia o ensino para todos, nomeando religiosos com o fim de fundarem e dirigirem escolas. A força motriz mais eficaz da renovação era o exemplo de sua própria vida, que se distinguia fundamentalmente da conduta de muitos bispos daquela época. Nas suas visitas canônicas, muito cansativas, ele chegava aos lugares mais remotos de sua diocese. Ele pregava, administrava o Sacramento da Crisma, mas,também, aconselhava e consolava. Assim, os fiéis chegaram a conhecer, estimar e amar o seu bispo; e com isso, o coração se lhes abriu para a renovação da vida cristã. 5º Dia da Novena Vida verdadeiramente religiosa não pode restringir-se a cumprir mais ou menos os deveres religiosos e, fora disso, levar uma vida de ateu. Já antes de sua Ordenação Sacerdotal, Francisco fundara a confraria da Santa Cruz, que obrigava os seus membros à recepção mais frequente dos Sacramentos, a prática da caridade fraterna e à ação apostólica. Mais tarde, graças a seus sermões, um número cada vez maior de fiéis de diversos estados de vida, sentia-se atraído a uma vida religiosa mais intensa e lhe pedia instruções mais explícitas. Apesar de todo o peso que lhe causaram, os deveres do encargo de administrar e de reformar a diocese, o bispo assumiu pessoalmente a direção espiritual de tais pessoas, mediante escritos básicos, entrevistas e inúmeras cartas, demonstrava-lhes um caminho para a plenitude da vida cristã, apropriado para o estado e nas circunstâncias de vida em questão. Das instruções gerais e dos conselhos pessoais à sua parenta, Senhora Charmoisy, originou-se a “Filoteia”, uma instrução para os que aspiram a perfeição cristã. Nela São Francisco de Sales demonstra o fato e a maneira como isso é possível em cada estado de vida e profissão, que se deve assumir, porém, em cada caso, formas diferentes. Então a piedade não pode prejudicar nenhuma profissão. Além disso, a devoção tornará a vida cristã atraente, amável e desejável a outros. Para que, no entanto, cada um possa escolher o caminho que lhe é apropriado, Francisco recomenda insistentemente confiar-se a um guia espiritual experimentado, o qual poderá ser consultado conforme a necessidade. Francisco era o mais excelente guia para a perfeição. Pela sua “Filoteia” Francisco de Sales é reconhecido como mestre de piedade. O Concílio Vaticano II confirmou sua doutrina sobre a vocação de todos à santidade. O Papa São Paulo VI o chama de “novo professor da vida espiritual”. 6º Dia da Novena “A devoção não é mais do que uma agilidade e vivacidade espiritual com que a caridade produz em nós as suas obras, ou nós as fazemos por ela, com prontidão e complacência”; ela é “um degrau mais alto do amor”. No “Tratado do Amor de Deus” Francisco de Sales fundamentou teologicamente e levou até o mais alto grau da mística esta constatação já apresentada no primeiro capítulo da Filoteia. Fundamento de sua doutrina é, em contraposição à doutrina de Calvino, a imagem otimista de Deus e do homem. A essência de Deus é o amor, o imanente fluxo divino da vida. É próprio do amor difundir-se e comunicar-se. Por isso Deus criou o mundo como revelação de sua essência e o ser humano como sua coroação, conforme sua Imagem e Semelhança. Por essa razão, o ser humano está em íntima relação com Deus e tem por natureza a inclinação de amar a Deus sobre todas as coisas. “O homem é a perfeição do universo; o espírito a perfeição do homem; o amor, a do espírito; e a caridade é a perfeição do amor. Por isso o amor de Deus é o fim, a perfeição e a excelência do universo” (Tratado do Amor de Deus X,1). Por amor, Deus uniu-se à natureza humana na pessoa do Verbo Encarnado. Mediante a graça santificante – Francisco de Sales a chama de ‘santo amor’ – que nos faz membros do seu Corpo Místico, seremos participantes da vida divina e capacitados a corresponder ao amor. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). “Em que consiste a perfeição? É seguro que ela consiste no santo amor, que abrange o amor a Deus e ao próximo. No entanto, segundo opinião comum, não são chamados perfeitos aqueles que possuem o santo amor, mas somente os que o possuem num grau sublime e primoroso, quer dizer, aqueles que têm um excelente amor a Deus e ao próximo” (DA 12, 172). 7º Dia da Novena A aspiração à perfeição, na escola de São Francisco de Sales, despertava em algumas pessoas o desejo de se consagrarem exclusivamente a Deus na vida religiosa. Para homens haviam novas ordem florescentes. Mulheres, porém, idosas ou viúvas, moças de frágil constituição ou com defeitos corporais, não conseguiam ser admitidas nas Ordens existentes. Para elas Francisco de Sales, juntamente com Joana Francisca de Chantal, criou um “refúgio” na Visitação: sem austeridades externas e sem o Ofício prolongado no coro, porém com a abnegação radical ao amor próprio. Suas filhas espirituais deveriam ter “os pés calçados, porém o coração descalço”. Na primeira fase da Visitação até a mudança em uma Ordem enclausurada, as Irmãs não fizeram votos solenes, mas, mediante uma simples oblação, dedicavam-se a Deus e ao serviço na comunidade. “Nós não temos nenhum outro vínculo senão o vínculo do amor”, escrevera o fundador no livro das profissões, “pois ele é o vínculo da perfeição”. Antes de tudo, ele queria dar a Deus “Filhas de Oração”. E isso aconteceu. Elas progrediram muito na aspiração à perfeição e algumas aos mais elevados graus da oração. Assim, na pessoa de Santa Margarida Maria Alacoque, a Visitação estava preparada para receber e para guardar as Revelações do Sagrado Coração de Jesus. Conforme a intenção do Santo Fundador, as Irmãs deveriam unir o serviço de Maria aos pés do Mestre ao serviço de Marta. Por isso, nos primeiros tempos elas desempenhavam o serviço aos pobres e enfermos fora do mosteiro e aceitavam temporariamente algumas senhoras que aspiravam a uma vida cristã, para os exercícios na sua comunidade. Quando, por motivo da clausura papal, isso não foi mais possível, restava, pela prática do amor cordial entre as Irmãs, ainda bastante oportunidade para o serviço de Marta. Desde o início o espírito da Visitação era um espírito de humildade e suavidade. 8º Dia da Novena O relacionamento entre Deus e o homem possibilita a “elevação do coração” a Deus na oração. Para Francisco de Sales a oração é expressão do amor e, juntamente com os Sacramentos, o alimento principal para o seu crescimento. Francisco de Sales apreciava todas as formas de oração comunitária, especialmente a oração litúrgica da Igreja. Ele louvava o Ofício solene do seu cabido e participava dele de boa vontade. Defendia a oração precatória e a invocação dos Santos, especialmente de Nossa Senhora. Pela sua intercessão, em Paris, viu-se livre da mais profunda angústia. Em agradecimento, ele fez a promessa de rezar o rosário todos os dias, o que cumpriu até o fim da vida. Na sua vida de oração e na sua doutrina sobre a vida espiritual, Francisco de Sales dá a preferência à oração interior. Para exercitar-se nela, ele ofereceu um método simples. Nas dificuldades oferecia conselhos concretos, de maneira comum na “Filoteia” e, de modo individual, em muitas cartas. Pelo exercício fiel, sob a influência da graça, esse método pode ser simplificado ou até se tornar desnecessário; então, no diálogo do amor, a oração meditativa passa para a contemplativa. Francisco de Sales descreveu isso no “Tratado do Amor de Deus” em suas diversas formas e degraus. A oração interior não deve ser isolada da vida, ela deve levar a uma convivência íntima com Deus no recolhimento espiritual, deve levar à expressão espontânea do amor na situação concreta da vida, por meio de pensamentos frequentes em Deus em curtas e fervorosas elevações do coração. “Ora, é neste exercício de recolhimento espiritual e das orações jaculatórias que se estriba a grande obra da devoção; pode suprir a falta de todas as outras orações, mas a falta dele quase não pode ser compensado por nenhum outro meio. Sem ele, não se pode seguir bem a vida contemplativa e nem tampouco desempenhar bem a vida ativa. 9º Dia da Novena O amor não apenas se manifesta na oração, enchendo-nos de “entusiasmo e de fogo abrasador de Deus”, mas, se ele for autêntico, “difundirá em nós a sólida resolução, a firmeza de ânimo e a inviolável obediência requerida para cumprir as determinações da Vontade Divina” (Tratado do Amor de Deus VI, 1). Francisco de Sales vivia de modo exemplar este amor ativo. Ele não conhece apenas a Vontade de Deus revelada nos mandamentos, conselhos e inspirações, que podemos aceitar ou rejeitar, mas também a Vontade do Seu beneplácito, reconhecível nos acontecimentos, nos desígnios da Providência. “Contemplando o mal em si, certamente ninguém o pode amar; contemplando-o, no entanto, na sua origem, isto é, na Providência divina, então ele se torna infinitamente amável” (Tratado do Amor de Deus IX, 8), pois a Vontade de Deus é sempre o seu amor”. O amor ativo leva à resignação e à equanimidade. “A resignação prefere a Vontade de Deus em tudo… Ora, a indiferença é superior à resignação, porque não ama nada senão por amor da Vontade de Deus” (Tratado do Amor de Deus IX, 4). A entrega à Vontade de Deus capacita São Francisco de Sales, mesmo em momentos dolorosíssimos – como a morte de sua mãe extremamente amada – de dizer com perfeita resignação: “Deus seja bendito!”. Logo após a fundação da Visitação, quando a Madre Chantal adoecera gravissimamente, ele aguardava o desfecho da doença com santa resignação; estava disposto a aceitar a Vontade de Deus, nem que lhe fosse mais agradável “contentar-se apenas com a nossa simples tentativa”. “Quando fui sagrado bispo”, confessa ele mais tarde, “Deus me tirou de mim mesmo, para me querer só para Si; então Ele me deu ao povo, quer dizer, Ele me transformou de tal maneira que dali por diante não vivia mais para mim”, porém para o seu povo. É esse o mais profundo mistério de sua santidade: o êxtase da ação ou da vida, “que, sob todos os ângulos, está além e sobre a nossa condição humana”. Nisso ele vê realizada a palavra de São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). E ele acrescenta: isso quer dizer: “deixar nossa vida puramente humana para levar uma vida mais elevada. Essa nova vida é o amor. Isso significa, porém, viver não só com critérios humanos, mas por razões sobre-humanas. Esse modo de viver há de ser um arrebatamento contínuo e um perpétuo êxtase no agir e obrar” (Tratado do Amor de Deus VII, 6).
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