Santo Antão

Como rezar a Novena?
- Inicia-se com o Sinal da Cruz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo;
- Reza-se todos os dias a oração inicial;
- Faz-se a meditação do dia;
- Reza-se a oração final
- Finaliza-se com o Sinal da Cruz.
Oração inicial para todos os dias da Novena
Ó Santo Antão, vós que, com vossa oração, vencestes o demônio, rogai ao Divino Pai Eterno para que Ele nos envie o Espírito Santo que Jesus falou no Evangelho para que, como vós, também possamos ser fortes na hora da tentação. Socorrei-nos Santo Antão. Amém.
(Faça seu pedido a Deus por intercessão de Santo Antão)
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Oração final para todos os dias
Ó Deus, que permitistes que, mesmo na solidão de uma gruta no deserto, o demônio perturbasse Santo Antão com violentas tentações, mas lhe destes força de vencê-las, enviai-me, do céu, o Vosso socorro, porque eu vivo num ambiente minado de tentações que me agridem, pelo celular, rádio, televisão, novelas, bailes, cinemas, revistas, propagandas e maus companheiros. Santo Antão, ficai sempre ao meu lado; vós que vencestes o demônio, na aparência de um bicho imundo, me dareis força na tentação. Amém.
Santo Antão, rogai por nós!
1º Dia da Novena
Santo Antão nasceu em 251 na cidade de Conam no Egito. Seus pais eram de boa linhagem e abastados. Depois da morte de seus pais ficou só com sua única irmã, muito mais jovem. Tinha então uns dezoito a vinte anos, e tomou o cuidado da casa e de sua irmã. Menos de seis meses depois da morte de seus pais, ia, como de costume, a caminho da igreja. Enquanto caminhava, ia meditando e refletia como os Apóstolos deixaram tudo e seguiram o Salvador; como, segundo se refere nos Atos dos Apóstolos, os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados, e quão grande é a esperança prometida nos céus para os que assim fazem. Pensando estas coisas, entrou na igreja. Aconteceu que nesse momento se estava lendo o Evangelho, e ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres, depois vem, segue-me e terás um tesouro no céu”.
Mas o demônio, que odeia e inveja o bem, não podia ver tal resolução num jovem, e se pôs a empregar suas velhas táticas também contra ele. Primeiro tratou de fazê-lo desertar da vida ascética, recordando-lhe sua propriedade, o cuidado de sua irmã, os apegos da parentela, o amor do dinheiro, o amor à glória, os inumeráveis prazeres da mesa e todas as demais coisas agradáveis da vida. Finalmente apresentou-lhe a austeridade e tudo o que se segue a essa virtude, sugerindo-lhe que o corpo é fraco e o tempo é longo. Em resumo, despertou em sua mente toda uma nuvem de argumentos, procurando fazê-lo abandonar seu firme propósito. O inimigo viu, no entanto, que era impotente em face da determinação de Antão, e que antes era ele que estava sendo vencido pela firmeza do homem, derrotado por sua sólida fé e sua constante oração.
2º Dia da Novena
Santo Antão estava um dia lutando contra o demônio e travava com ele uma verdadeira luta física. Então, invocou a presença de Nosso Senhor. Clamou por Jesus, dizendo: “Salvai-me, Senhor!” E, de tanto clamar: “Kyrie Eleison!”, o demônio, então, se retirou. Naquele momento, em que Antão finalmente conseguiu a vitória sobre o demônio, Jesus apareceu.
Santo Antão ficou um pouco triste. Olhou para Jesus e disse:
“Senhor! Onde estáveis quando eu mais necessitava de Vós?”
Então, Jesus, com um olhar de misericórdia, olhou para Antão e disse:
“Antão, meu filho, Eu estava aqui o tempo todo. Mas, Eu queria te ver lutar.”
Deus gosta de nos ver lutar. Mesmo que não tenhamos o grau de virtude, e não tenhamos especificamente sido eleitos para a missão de lutar fisicamente com o demônio, todos nós temos a missão de lutar espiritualmente contra ele. Talvez essa seja a principal razão para que Deus permita isso com esses homens Santos.
3º Dia da Novena
“Nada mais útil pode ser ao Cristão do que pensar todos os dias: Estou começando a servir a Deus e o dia de hoje pode ser o meu último” – Santo Antão.
O demônio, jactando-se de suas tentações carnais, pois são sua preferida artimanha contra os jovens, atacou o jovem molestando-o de noite e instigando-o de dia, de tal modo que até os que viam Antão podiam aperceber-se da luta que se travava entre os dois. O inimigo queria sugerir-lhe pensamentos baixos, mas ele os dissipava com orações; procurava incitá-lo ao prazer, mas Antão, envergonhado, cingia seu corpo com sua fé, orações e jejuns. Atreveu-se então o perverso demônio a disfarçar-se em mulher e fazer-se passar por ela em todas as formas possíveis durante a noite, só para enganar Antão.
Mas ele encheu seus pensamentos de Cristo, refletiu sobre a nobreza da alma criada por Ele, e sua espiritualidade, e assim apagou o carvão ardente da tentação. E quando de novo o inimigo lhe sugeriu o encanto sedutor do prazer, Antão, enfadado com razão, e entristecido, manteve seus propósitos com a ameaça do fogo e dos vermes. Sustentando isto no alto, como escudo, passou por tudo sem se dobrar. Toda essa experiência levou o inimigo a envergonhar-se. Em verdade, ele, que pensara ser como Deus, fez-se louco ante a resistência de um homem. Ele que em sua presunção desdenhava carne e sangue, foi agora derrotado por um homem de carne em sua carne. Verdadeiramente o Senhor trabalhava com este homem, Ele que por nós tornou-se carne e deu a seu corpo a vitória sobre o demônio. Assim, todos os que combatem seriamente podem dizer:
“Não eu, mas a graça de Deus comigo”.
4º Dia da Novena
Santo Antão havia descido para visitar as celas exteriores. Quando convidado a subir a um barco e orar com os monges, só ele percebeu um mau cheiro horrível e sumamente penetrante. A tripulação disse que havia a bordo pescado e alimento salgado e que o cheiro vinha disso, mas ele insistiu que o odor era diferente.
Enquanto estava falando, um jovem que tinha um demônio e subira a bordo pouco antes como clandestino, soltou de repente um guincho. Repreendido em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, foi-se o demônio, e o homem voltou à normalidade; todos então se aperceberam de que o mau cheiro vinha do demônio.
5º Dia da Novena
Dois dos irmãos da ordem de Santo Antão estavam em viagem para vê-lo, e no caminho a água acabou. Um morreu e o outro estava a ponto de morrer. Já não tinha forças para andar, mas jazia no chão esperando também a morte. Sentado na montanha, Antão chamou dois monges que casualmente estavam ali e os compeliu a se apressarem:
“Tomem um jarro d’água e corram descendo pelo caminho do Egito; vinham dois, um acaba de morrer e o outro também morrerá se vocês não se apressarem. Foi-me revelado isto agora na oração”.
Foram-se os monges, acharam um morto e o enterraram. Ao outro fizeram-no reviver com água e o levaram ao ancião. A distância era de um dia de viagem. Agora, se alguém pergunta porque não falou antes de morrer o outro, sua pergunta é injustificada. O decreto de morte não passou por Antão, mas por Deus que a determinou para um, enquanto revelava a condição do outro. Quanto a Antão, o admirável é que, enquanto estava na montanha com seu coração tranquilo, mostrou-lhe o Senhor coisas distantes.
6º Dia da Novena
Finalmente, quando o dragão não pôde conquistar o jovem Antão nem por estes últimos meios, mas viu-se arrojado de seu coração, rangendo seus dentes, como diz a Escritura, mudou, por assim dizer, sua pessoa. Tal como é seu coração, assim lhe apareceu: como um moço preto; e como inclinando-se diante dele, já não o molestou com pensamentos, pois o impostor tinha sido lançado fora, mas usando voz humana disse-lhe:
“A muitos enganei e venci; mas agora que te ataquei a ti e teus esforços, como fiz com tantos outros, mostrei-me demasiadamente fraco”. “Quem és tu que me falas assim?”, perguntou-lhe Antão.
Apressou-se o outro a replicar com a voz lastimosa:
“Sou o amante da fornicação. Minha missão é espreitar a juventude e seduzi-la. Chamam-me o espirito de fornicação. A quantos eu enganei, decididos que estavam a cuidar de seus sentidos! A quantas pessoas castas seduzi com minhas lisonjas! Eu sou aquele por cuja causa o profeta censura os decaídos: ‘Foram enganados pelo espírito da fornicação’. Sim, fui eu que os levei à queda. Fui eu que tanto te molestei e tão a miúdo fui vencido por ti”.
Antão deu, pois, graças ao Senhor e armando-se de coragem contra ele, disse:
“És então inteiramente desprezível; és negro em tua alma, e tão débil como um menino. Doravante já não me causas nenhuma preocupação, porque o Senhor está comigo e me auxilia: ‘Verei a derrota dos meus adversários’ “.
Ouvindo isto, o negro desapareceu imediatamente, inclinando-se a tais palavras e temendo acercar-se do homem. Mesmo com essa primeira vitória de Antão sobre o demônio; ou melhor, digamos que este singular êxito em Antão foi do Salvador, que “condenou o pecado na carne, a fim de que a justificação, prescrita na Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Mas Antão não se descuidou nem se acreditou garantindo por si mesmo pelo simples fato de se ter o demônio lançado a seus pés; tampouco o inimigo, ainda que vencido no combate, deixou de estar-lhe à espreita. Andava dando voltas em redor, como um leão, buscando uma ocasião contra ele.
7º Dia da Novena
Antão tendo aprendido nas Escrituras quão diversos são os enganos do maligno, praticou seriamente a vida ascética, tendo em conta que, se não pudesse seduzir seu coração pelo prazer do corpo, trataria certamente de enganá-lo por algum outro método; porque o amor do demônio é o pecado. Resolveu, por isso, acostumar-se a um modo mais austero de vida. Mortificou seu corpo sem mais, e o sujeitou, para não acontecer que, tendo vencido uma ocasião, perdesse em outra. Muitos se maravilhavam de suas austeridades, porém ele próprio as suportava com facilidade. O zelo que havia penetrado sua alma por tanto tempo transformou-se pelo costume em segunda natureza, de modo que ainda a menor inspiração recebida de outros levava-o a responder com grande entusiasmo. Por exemplo, observava as vigílias noturnas com tal determinação, que a miúdo passava toda a noite sem dormir, e isso não só uma vez, mas muitas, para admiração de todos. Assim também comia só uma vez ao dia, depois do cair do sol; às vezes cada dois dias, e com frequência tomava seu alimento só depois de quatro dias. Sua alimentação consistia em pão e sal; como bebida tomava só água. Não necessitamos sequer mencionar carne ou vinho, porque tais coisas tampouco se encontravam entre os demais ascetas. Contentava-se em dormir sobre uma esteira, embora regularmente o fizesse sobre o simples chão. Desprezava o uso de unguentos para a pele, dizendo que os jovens devem praticar a vida ascética com seriedade e não andar buscando coisas que amolecem o corpo; deviam antes acostumar-se ao trabalho duro, tendo em conta as palavras do Apóstolo: “É na fraqueza que se revela minha força”. Dizia que as energias da alma aumentam quanto mais débeis são os desejos do corpo.
8º Dia da Novena
Assim esteve sozinho na Montanha Interior, dando seu tempo à oração e à prática da vida ascética. Os irmãos que foram em sua busca rogaram-lhe que lhes permitisse ir cada mês e levar-lhe azeitonas, legumes e azeite, pois agora já era ancião. De seus visitantes soubemos quantos combates teve de suportar enquanto viveu ali, “não contra carne e sangue”, como está escrito, mas em luta com os demônios. Também ali ouviram tumultos e muitas vozes e clamor como de armas.
À noite viram a montanha encher-se de vida com animais selvagens. Viram-no também lutando como com inimigos visíveis, e orando contra eles. A um que o visitou falou-lhe palavras de alento enquanto ele próprio mantinha-se firme na contenda, de joelhos e orando ao Senhor. Era realmente notável que, sozinho como estava nesse despovoado, nunca desmaiasse ante os ataques dos demônios, nem tampouco, com todos os animais e répteis que havia, tivesse medo de sua ferocidade. Como está na Escritura, ele realmente “confiava no Senhor como o monte de Sião”, com ânimo inquebrantável e intrépido. Assim os demônios antes fugiam dele, e os animais selvagens fizeram paz com ele, como está escrito.
9º Dia da Novena
O mau pôs estreita guarda sobre Antão e rangeu os dentes contra ele, como o disse Davi no Salmo, mas Antão foi animado pelo Salvador, não sendo danificado por essa vilania e sutil estratégia. Enviou-lhe animais selvagens enquanto estava em suas vigílias noturnas, e em plena noite todas as hienas do deserto saíram de suas tocas e o rodearam. Tendo-o no centro, abriam suas faces e ameaçavam mordê-lo. Ele, porém, conhecendo bem as manhas do inimigo, disse-lhes:
“Se receberam poder para fazer isto contra mim, estou disposto a ser devorado; mas se foram enviadas pelo demônio, saiam imediatamente, porque sou servidor de Cristo”.
Enquanto Antão dizia isto, fugiram como açoitados pelo látego dessa palavra.
Poucos dias depois, enquanto estava trabalhando, porque o trabalho sempre era parte de seu propósito, alguém chegou à porta e puxou a corda com que trabalhava. Estava fazendo cestos que dava a seus visitantes em troca do que lhe traziam. Levantou-se e viu um monstro que parecia homem até as coxas, mas com pernas e pés de asno. Antão fez simplesmente o sinal da cruz e disse:
“Sou servidor de Cristo. Se foste enviado contra mim, aqui estou”.
O monstro, porém, com seus demônios, fugiu tão rápido que sua própria rapidez o fez cair e morrer. A morte do monstro veio a significar o fracasso dos demônios: fizeram o que puderam para que saísse do deserto e não o conseguiram.